Hoje o William Bonner, editor-chefe do JN, deu uma palestra na FAAP sobre o livro “JORNAL NACIONAL MODO DE FAZER”. O conteúdo da palestra foi excelente e pudemos saber mais sobre o programa televisivo de maior credibilidade nos últimos 40 anos e ao qual a máxima “Deve ser verdade deu no Jornal Nacional” esta ligada. Epa!… Opa!… Péra aí – dirão os guardiões da notícia. Será que o JN merece esse título? Eu diria que sim. Em 1969 entrava no ar o telejornal que seria a principal fonte de informação do publico da TV aberta. Nesses 40 anos o JN se transformou em referencia de linguagem para o telejornalismo brasileiro tendo formatado os padrões de reportagem, edição, texto e apresentação que são seguidos até hoje por todos os outros veículos. Foi o primeiro a ser transmitido em rede nacional utilizando correspondentes no Brasil e no mundo que entravam ao vivo com os principais fatos e noticias surpreendendo o publico pela agilidade e velocidade. Graças a ele o brasileiro médio fica sabendo sobre o que esta acontecendo no Sudão ou para quem foi outorgado o prêmio Nobel da paz. Sem o JN muitos brasileiros estariam fadados ao desconhecimento, por varias razões. A primeira delas é econômica. A falta de uma realidade sócio cultural adequada os afastaram de hábitos como o da leitura, por exemplo. Através do Jornal Nacional as pessoas desse país são elevadas a condição de cidadãos do planeta e conseguem distinguir na multidão um político, uma personalidade cientifica ou mesmo um atleta de uma modalidade esportiva que não seja futebol. As milhares de laudas escritas pelo JN contaram a vida de muitos brasileiros e cidadãos do mundo. Sonhos, esperanças, aflições, alegrias, tristezas, medo e orgulho provavelmente foram os sentimentos que as mais de 12500 horas de telejornalismo provocaram nos telespectadores de um dos mais tradicionais noticiosos da televisão. A realidade da televisão é mais crível do que a realidade do cotidiano e o JN exibiu nesses 40 anos imagens que ajudaram gerações a conhecer os personagens do mundo que estavam fazendo historia. Tudo isso ao vivo graças ao trabalho de muitas pessoas que ajudaram a construir a máxima: “Isso deve ser verdade porque apareceu no Jornal Nacional”
“DEVE SER VERDADE, DEU NO JORNAL NACIONAL”.
Publicado 19/10/2009 por matroneCategorias: Televisão
ANIVERSÁRIO DA TV. PARABÉNS… HU….HUUUU!
Publicado 21/09/2009 por matroneCategorias: Televisão
Sei lá se é uma data pra se comemorar, mas a TV brasileira completou 59 anos de idade. Do “Show na Taba”, primeiro programa da TV, até agora milhares de horas de programação foram transmitidas para um publico cada vez menos exigente. Às vezes me questiono se a TV é o que é por causa do telespectador ou o telespectador é o que é por causa da TV? Por décadas a principal fonte de informação da família brasileira ultimamente ela presta um “desserviço“ que não é culpa sua. A TV brasileira nasceu corretamente. Improvisada, mas correta. Porém, durante as suas décadas de vida foi sistematicamente enfraquecida pelos interesses comerciais. Quando descobriram que ela podia gerar dinheiro, os empresários da mídia passaram a não poupar esforços para que a tela da TV fosse povoada com ícones que atraíssem a atenção de um publico simples, despreparado culturalmente e carente de informação. Hoje a TV transmite todo o tipo de programas: Religiosos realizando milagres, cenas de violência, apresentadores atropelando o verbo, jornalismo tendencioso, etc. O pior de tudo isso é que ninguém percebe. A TV esta lidando com as coisas mais ralas. Tiraram a profundidade dos temas dos programas. O veículo teve o seu conteúdo empobrecido pra ficar próximo da audiência. Uma vez ouvi de um intelectual de boteco, tipo revoltado porque não conseguiu boas oportunidades na vida, a afirmação de que aqueles que defendiam a erudição da TV eram fascistas. Ao contrario, eu acho que manter a TV do jeito que ela esta é um ato de ditadura da ignorância. Claro que não interessa qualificar o telespectador. Um telespectador melhor preparado vai consumir menos lixo e lixo é mais barato e fácil de fazer. Dá mais lucro. O ano que vem a TV brasileira faz 60 anos. Como idosa ela vai ser isenta de pagar o ônibus? Vai estacionar na melhor vaga do shopping e do supermercado? Vai entrar na fila especial no Banco? Ah, me esqueci de que a TV não é uma pessoa e por isso não terá direitos especiais mesmo aos 60 anos. Mas que tal passarmos a respeitá-la? Gostaria de sentir orgulho da TV novamente. Tenho esperanças de que ainda ouvirei um bom texto, conhecerei um bom apresentador, serei seduzido por uma boa pauta, me deliciarei com um bom musical, rirei com humor de qualidade, enfim: verei novamente a TV que eu conheci e que hoje esta debaixo de muita coisa ruim.
PERDERAM O CAMINHO DAS ÍNDIAS
Publicado 15/09/2009 por matroneCategorias: Televisão
Puxa, que triste o final de Caminho das Índias na ultima sexta feira dia 11. Senti como se a trama necessitasse de pelo menos mais dez capítulos. As coisas foram resolvidas aos supetões deixando de lado e atropelando a verossimilhança, o ponderável e o timing da história. O personagem de Tony Ramos em dois dias perdeu o filho, ficou sabendo que o seu neto era filho de um Dalit, descobriu que a sua mãe casou grávida, que o seu filho não morreu e , finalmente, a sua mãe revelou que o seu maior inimigo era seu verdadeiro pai . Qualquer outro ser humano teria um AVC por muito menos. O Opash, apesar de tudo ficou feliz e só pedia pra alguém explicar pra ele o que estava acontecendo. Pobre Opash…ninguem entendeu, imagina a dificuldade pra explicar pra ele. Todas as historias terminaram com final feliz a não ser o pobre Eric que foi preso por agentes do FBI numa cena digna de filme mexicano. Os agentes da Swat que invadiram o hotel pareciam componentes de uma ala de escola de samba. Alias, eram vários agentes pra prender um único homem que abusava financeiramente de velhinhas. Não estou falando da Vera Fisher. Tenho certeza de que se a Gloria Peres tivesse mais dez capítulos a história terminaria de maneira mais verossímil. Senti a minha inteligência subjugada. Ao ver os últimos dois capítulos da novela me pareceu que os produtores da Globo estavam atrás dos atores dizendo: “vamos, temos que desmontar o cenário e devolver as roupas…tem que terminar agora”. Pergunto: Será que acabaram as rúpias?
AMOR & SEXO
Publicado 01/09/2009 por matroneCategorias: Televisão
Fazia tempo que eu não assistia a um programa de TV, desses competitivos, apresentado por celebridades, que tivesse um bom texto. Alias o texto é uma coisa que sumiu da televisão. É “galera” pra cá, “galera” pra lá e tudo bem. Mais de uma pessoa já é galera na televisão. O interessante é que “galera” é um termo pejorativo que faz referencia as “galés” formadas pelos remadores dos barcos Vikings. Eles eram bandidos de todas as ordens que eram condenados a trabalho escravo ao compasso de um tambor. Quanto mais rápidas as batidas do tambor mais velozes eram as remadas. Bom, voltando ao bom programa, eu tive uma surpresa ao assistir a estréia de Amor & Sexo. O programa é muito bem realizado e bem apresentado pela Fernanda Lima. Confesso que vi a estréia com um clima de “não vou gostar”. Sabe como é que é…preconceito! Fui seduzido pelo bom trabalho de apresentação, texto, direção e edição. Claro que existem coisas para serem melhoradas, mas tenho certeza de que o diretor Ricardo Waddington já sabe tudo o que precisa ser feito. Por falar em diretor de programa, dá pra notar que Amor & Sexo tem direção, diferente de alguns programas da TV que são a cara dos apresentadores e refletem o vazio abissal das suas cabeças. Amor & Sexo é redondo, sem arestas e proporciona bom entretenimento. Sim, entretenimento! Se você esta procurando refletir sobre filosofia não recomendo assistir a maioria dos programas da TV, mas para esticar o pé no pufe com uma boa pizza e coca-cola não tem melhor. Da pra relaxar gostoso.
GAME SHOW x GINCANA
Publicado 05/08/2009 por matroneCategorias: Televisão
Acho que cabe aqui neste Blog discutirmos o que é game e o que é gincana. A TV brasileira costuma inverter e confundir esses dois gêneros. É certo que o publico tupiniquim possui uma predileção pelo humor fácil, pelas ações que constrangem os candidatos ou potencializam as suas limitações. Isso é gincana. É melhor rir do outro do que rir de nós mesmos. O game show é um gênero que já teve grandes versões na TV brasileira. Nesses 59 anos de Televisão, programas como “Sabatina Maizena”, “O céu é o limite”, “Quem sabe, sabe”, “ Enigma” “ Janela Indiscreta”,“ 8 ou 800”, “ Essa noite se improvisa” , entre outros ótimos projetos, contribuíram com o lazer e o aprendizado do público. Esses programas mexiam com o conhecimento, possuíam uma estrutura lúdica e conduziam o participante a utilizar estratégia de jogo. Isso é game. A TV brasileira sempre foi muito criativa. Muitos dos nossos programas de TV poderiam ser comercializados pelo mundo, como formatos, e renderiam muito dinheiro para as emissoras detentoras dos seus direitos. Comprar formato no Brasil é uma coisa maluca como importar café. Temos que reconhecer que é mais barato e garantido para o empresário de TV investir o seu dinheiro em formulas de comprovado sucesso, porém quero deixar registrado que a nossa TV possui excelentes criadores. Ah, se você não conhece nenhum dos programas que eu listei acima saiba que eles todos foram sucesso de audiência em suas épocas. Pesquise.
CQC – Caiga Quien Caiga
Publicado 17/07/2009 por matroneCategorias: Televisão
Sou absolutamente fã do CQC da Band. Há muito tempo que eu não esperava um determinado dia da semana pra assistir a um programa de TV. Hoje, como qualquer ser humano normal, continuo não gostando da Segunda Feira, mas fico menos estressado porque sei que vou ter uma noite bacana. Trabalhando em TV a gente não consegue sair do chão e entrar no papel de telespectador. Sempre conhecemos alguém que está envolvido em uma ou outra produção. Os programas pra nós são produtos que os nossos amigos fabricam. Isso é chato porque deixamos de ter o direito e o prazer de sentar diante da TV e mergulhar. Com o CQC é assim. Você mergulha nas edições bem sacadas, nas entrevistas bem feitas e no humor inteligente. Alias pra gostar de humor precisa ser inteligente. Quanto mais obtuso você é menos você ri. O programa é um formato argentino de primeiríssima qualidade, mas teve a felicidade de contar com um casting colossal. Sabe aquelas coincidências felizes da vida? Pois é, foi assim no casting do CQC. Os repórteres de preto fazem as perguntas que todos nós gostaríamos de fazer para os políticos corruptos que tentam escapar através de respostas inconclusivas, discursos vazios ou explicações de almanaque. Já soube que muita gente em Brasília só sossega na Terça Feira após a emissão do programa. Escapar do CQC virou o desafio de muitos. Parabéns ao Marcelo e a toda a equipe.
A ÍNDIA DE GLORIA PERES
Publicado 06/07/2009 por matroneCategorias: Televisão
Resolvi escrever este texto após notar na mídia incansáveis tentativas de desmerecer o trabalho da autora Gloria Peres na novela “Caminho das Índias”. É certo que a verdadeira Índia está super distante da realidade da novela da Rede Globo, mas em contrapartida o folhetim traz à massa ignara, maioria dos nossos telespectadores, informações importantes sobre essa gigantesca potência que é a Índia. Aonde o brasileiro médio iria obter informações sobre a Índia? Eu fui capturado pela novela. Assisti a um capitulo por obrigação profissional já que sou um radialista e professor de direção. Não posso criticar algo que não conheço e “are baba” quando dei por mim estava sentado no sofá de olhos grudados na TV. Tive a oportunidade de trabalhar com Indianos (quem nasce na Índia é Indiano e não necessariamente Hindu que é o seguidor de uma das religiões) e sempre fiquei fascinado pela tranqüilidade e paz que eles transmitem. Também sempre fui intrigado com a tonalidade única das suas peles, mas um amigo esotérico me garantiu que isso é devido ao fato de eles provavelmente serem de outro planeta. Não dou mais credito a esse amigo desde que ele passou a dormir com uma pirâmide na cabeça. Pra quem não sabe os Indianos são os melhores engenheiros de software do mundo e o Windows que utilizamos nos nossos computadores tem muito das mãos dos Indianos que trabalham na Microsoft. Hoje o brasileiro comum sabe sobre o sistema de castas, conhece os costumes e tradições daquele povo super evoluído que possui até bomba atômica.
As mulheres brasileiras estão vestindo sári na intenção de ficarem parecidas com a Juliana Paes. Vamos e venhamos o traje não é pra qualquer uma. As gordinhas deviam evitá-lo. Como diria um sábio amigo meu: “Ponha-se no seu lugar”. As criticas são fundamentalmente dirigidas à trama Indiana, mas ninguém discute a parte da história que se passa no Brasil. Gloria Peres, como sempre faz nos seus trabalhos, utiliza a oportunidade que tem como autora de obras dirigidas a massa para propor discussões que possam ser úteis no dia a dia das pessoas.
SERÁ QUE MICHAEL JACKSON ERA O CHARLIE DAS PANTERAS?
Publicado 26/06/2009 por matroneCategorias: Televisão
Triste. No mesmo dia perdemos dois símbolos. Michael Jackson e Farrah Fawcett saíram de cena juntos. A loira, símbolo sexual, modelo de beleza de uma geração de meninas que perdiam horas no cabeleireiro replicando o seu corte de cabelo para depois dançarem nos bailinhos de garagem ao som de Michael Jackson e muita luz negra. Não posso dizer que não assisti as Panteras na TV. Claro que assisti. Quem não assistiu? Quem não desejou dobrar uma esquina e se deparar com Farrah Fawcett que chegou a assinar Farrah Majors enquanto era casada com Lee Majors, o “Homem de 6 milhões de Dólares”. Impossível também imaginar que algum terráqueo não ouviu Thriller, Bad, Beat it ou Billie Jean? Na década de 80 não existiam os players MP4 e, acredite ou não, andávamos nas ruas com os walkmans de fita K7. Alguns deles tinham fones de ouvido enormes e quando estávamos em turma parecíamos uma convenção de Mickey Mouses. Esses aparelhos usavam pilhas que iam descarregando e deixando o Michael Jackson com a voz do Barry White. O balanço de Beat it descolava das cadeiras qualquer pessoa com um coração batendo dentro dela. Vi muito pai embriagado tentando dar o passo moonwalker no final da festa de 15 anos da filha para depois se estatalar no chão e ficar com o barrigão gordo pra cima. Fui com minha mulher Marcia e um casal de amigos, Cecilia e Roberto, ao show dele no Morumbi. Dificuldade pra chegar perto do estádio, dificuldade para estacionar, horas na fila para entrar. Tudo valeu à pena, pois era o Michael. Havia uma vibração no ar. As pessoas na fila tinham cara de criança quando ganha presente. Cantamos junto com ele e no lugar dele quando o rei do pop “chorou” ao mencionar os irmãos. No final, pra coroar, ouvimos a frase padrão de qualquer astro internacional: “São Paulo, eu te amo”. Foi um super show. Michael teve uma vida conturbada, nada privada e cheia de excessos. O seu maior excesso foi o de talento. Ele aproveitou muito o poder da mídia que o transformou no maior astro pop de todos os tempos. Nenhum outro astro pop teve a mesma projeção de Michael Jackson. Algumas pessoas passam por este mundo e se vão sem ninguém perceber, mas ele vai fazer falta. Nunca me conformei por não conhecer o Charlie das panteras. Era apenas uma voz que passava as missões para as garotas através de um telefone. Ontem uma das panteras se foi e a voz de Michael Jackson se calou. Será que Michael era o Charlie das Panteras?
MEXE-MEXE DAS TVS
Publicado 23/06/2009 por matroneCategorias: Televisão
Estamos vivendo um alvoroço com a saída do Roberto Justos e Eliana da Record. Eles vão atender agora no SBT. A loira dos dedinhos, que amadureceu e hoje é uma boa apresentadora, conhece bem o SBT. O Justus vai conhecer.
Talentos a parte, é curioso e até divertido acompanhar esse mexe-mexe principalmente porque na TV o programa é do apresentador e não do diretor.
Ninguém sabe quem esta dirigindo um programa de TV. Você nunca vai ouvir – “Vou pra casa mais cedo porque hoje tem um programa do Jorge Fernando”.
O público não sabe quem faz o programa a que ele esta assistindo. Pouco importa. O telespectador desconhece a dificuldade de produção e pós-produção de um programa de TV. Ele conhece apenas o apresentador. Existe o programa da Hebe, o programa do Luciano Huck, o programa do Faustão, o programa do Gugu, o programa do Jô, etc.
Quando esses apresentadores se transferem de um canal para outro atendendo apelos financeiros irresistíveis ou condições de trabalho ideais, eles mexem com a mídia.
Hoje, sem brincadeira, ouvi pelos menos 10 pessoas comentarem a saída do Justus da Record. Cada um conta uma história diferente e como quem conta um conto aumenta um ponto, a simples mudança de endereço do nosso Donald Trump (eu particularmente prefiro o Justus ao Donald. Estou falando do Trump não do pato) se transformou num problema nacional. Para o publico isso é mais importante que o buraco na camada de ozônio, afinal não podemos ver o buraco.
TV GENÉRICA
Publicado 15/06/2009 por matroneCategorias: Televisão
Sabe aquela chave de fenda barata que entorta durante o uso ou aquele celular comprado no camelô que parece, mas não é um iPhone? Pois é, eles são imitações de coisas que funcionam bem e por isso são sucessos de venda. No caso da chave de fenda normalmente ela se parece com uma ferramenta alemã ou suíça. Só se parece. O aço esta a anos-luz de ser o mesmo. Ele é mole e não consegue resistir a parafusos mais difíceis.
O telefone que parece um iPhone serve apenas você pra fazer bonito atendendo a uma chamada no meio de uma reunião ou fazer uma pressãozinha na turma. Ele só parece o iPhone. O circuito não é o mesmo. A isolação de radio freqüência não é a mesma do original e essa cópia pode cozinhar o seu cérebro como um pequeno forno de microondas portátil.
Pois é, “A Fazenda” da Record é isso. Parece, mas não é. É um formato original que por sua vez é igual a outro formato que na origem é ruim. Deu pra entender? A televisão insiste no confinamento. Talvez num futuro próximo tenhamos programas ambientados em campos de concentração. Já pensou?
Tecnicamente o programa é razoável. Boas imagens, boa realização (o áudio deixa a desejar), mas os competidores são sofríveis.
O apresentador, que é bem maior do que aquilo tudo, é obrigado a fazer chamadas barraqueiras do tipo: “Ainda hoje você vai ver a briga de fulano com cicrano. Eles brigaram mais, muito mais”.
Não, muito obrigado. Na minha escala de prioridades assistir a essa briga ocupa a posição 1554Z. A televisão continua perdendo a oportunidade de produzir conteúdos mais inteligentes.
A REALIDADE DA TELEVISÃO
Publicado 08/06/2009 por matroneCategorias: Televisão
Por que as pessoas acompanham pela televisão a saga de outros bípedes confinados em fazendas, casas, escritórios, etc? Por que o cidadão quer saber o que acontece atrás de quatro paredes com outras pessoas? Curiosidade! Essa é a mola que impulsiona o universo. Tudo, ou quase tudo, foi feito por causa da curiosidade. As grandes descobertas dos navegadores, a conquista da America, as descobertas da ciência, as viagens espaciais, as descobertas arqueológicas, etc.
O homem nunca esteve satisfeito com o seu mundinho. Precisamos mais, muito mais!
Por sofrermos desse “siricutico” genético ficamos sempre imaginando o que se passa na casa do outro terráqueo.
Essa doença é muito antiga. Saber da vida do outro é um esporte praticado por gerações. Essa modalidade , porem, dependia de uma fresta na janela, um pedaçinho de conversa ouvido aqui e ali ou mesmo uma observação mais invasiva do tipo olhar de binóculo, luneta, etc.
A televisão sabendo explorar essa nossa fraqueza transformou a casa do vizinho em programa de TV. Câmeras por todos os lados revelam as intimidades. Microfones transmitem as mais particulares conversas. Nada escapa. Pode-se até pagar um pouco mais no serviço de TV a cabo por um canal exclusivo para podermos continuar a espiar após as outras pessoas terem perdido esse direito.
Alguns dias depois nos sentimos íntimos dos confinados e nos referimos a eles como se fossem uma prima ou um velho amigo. Simpatizamos com alguns e passamos a odiar outros.
Na realidade projetamos nesses indivíduos as nossas frustrações e angustias e muitas vezes odiamos os que mais se parecem conosco.
Depois de “abusarmos desses ratinhos de laboratório” os transformamos em celebridades.
Eles passam a apresentar programas de TV, freqüentar festas e eventos sociais cobrando polpudos cachês, etc.
A curiosidade, porém, não para e como ultima fronteira tiramos as suas roupas em revistas masculinas.
Vai chegar um dia em que iremos obrigá-los a fazer uma endoscopia para matarmos a nossa curiosidade de como eles são por dentro.
IMPRENSA URUBU
Publicado 04/06/2009 por matroneCategorias: Televisão
Não existem limites para a curiosidade das pessoas. Todos querem saber informações sobre o acidente com o vôo da Air France. Compreensível.
O trágico e lamentável episódio virou, porém, um prato cheio para o telejornalismo que não sabe nem pronunciar o nome Airbus. Os repórteres e ancoras de telejornal pronunciam “Aérbãs” com pronuncia inglesa quando na verdade é “Aérbus” pois o nome é de origem francesa já que a aeronave é fabricada pela Airbus Société par Actions Simplifiée que tem sede em Toulouse, na França.
Airbus signifca “Ônibus Aéreo” em francês.
Repórteres cercam os parentes das vitimas a procura de uma palavra, uma lagrima, um desabafo, qualquer coisa que as lentes e as rotativas possam explorar. As famílias completamente perturbadas concedem entrevistas e revelam dados particulares que se transformam em manchetes de jornais impressos e eletrônicos. Somos bombardeados por informações como:
“Namorada conta o último papo!” ou ”Familiares ainda não sabem se vão pedir indenizações”. Tudo é permitido na corrida pela audiência da informação. Lista de passageiros com fotos. Imagens de casamentos ou de reuniões familiares, etc. Nessa corrida a mídia comete o erro da invasão do espaço do cidadão tornando publica a vida de pessoas normais que perderam um ente querido numa tragédia aérea. A privacidade dessas pessoas deveria ser protegida e não explorada.
Vale tudo pelo Ibope, pelos hits da Internet e pela venda do jornal, sempre de ontem, nas bancas.
HDTV – PARA QUÊ?
Publicado 29/05/2009 por matroneCategorias: Televisão
Não tenho nada contra o HDTV, pelo contrario. O sonho de todo realizador de televisão é poder fazer o seu programa em High Definition. A riqueza de detalhes, a profundidade de campo, as possibilidades de iluminação, a composição pictórica, etc.
Poderemos nos aproximar da textura e definição da fotografia do cinema. Estamos chegando lá!
Mas ai vem a duvida: E o conteúdo dos programas? O que esta sendo produzido para a TV em alta resolução? Alguém já parou pra pensar nisso? Por enquanto a grande preocupação do publico e das emissoras é quanto à parte técnica. Telas Full HD, entradas HDMI, surround, etc.
As lojas oferecem dezenas de opções para todos os gostos e orçamentos. O HDTV é o novo sonho de consumo da classe média.
Mas, qual é a programação disponível para esses monitores maravilhosamente caros?
A mesma! A mesma novela, o mesmo programa de entrevistas, o mesmo tudo. Poucos estão preocupados com o conteúdo. A maioria se preocupa apenas com a forma.
A alta definição por enquanto é utilizada apenas pra se ver melhor. É claro que os cenários e figurinos tiveram que ser melhorados.
Não podemos mais esconder uma emenda de cenário com fita crepe porque aparece. A maquiagem teve que ser adequada. As imperfeições de pele e a maquiagem pesada enchem a tela.
A televisão de alta definição é mostrada em 16:9 muito mais próxima do campo de visão humano. Desta maneira a linguagem de câmera também teve que ser aprimorada. O plano geral e o plano detalhe agora precisam ser utilizados com mais sabedoria e bom gosto. Uma pan descritiva tem que ser feita com mais sensibilidade.
Enfim, toda a televisão esta sofrendo um “tsunami” operacional. Os realizadores precisam dominar as novas linguagens proporcionadas pela nova tecnologia. Temos pouco tempo pra absorver tudo.
Tudo isso dominado, vem à pergunta: O que colocar dentro desse televisor 16:9, alta resolução, som 5.1 e ainda por cima interativo? Isso me lembra a conversa com um dos mais importantes engenheiros de broadcasting do Brasil quando soubemos que uma emissora estava comprando um novo transmissor, mais potente, estéreo, com redundância digital, etc.
Ele disse: – Bom, agora eles podem levar essa programação “meia boca” mais longe e com mais qualidade.
HÁ VIDA INTELIGENTE DO OUTRO LADO DO VÍDEO?
Publicado 28/05/2009 por matroneCategorias: Televisão
Devemos imaginar que sim embora muitas vezes esse seja um difícil exercício mental. Sob o pretexto de que o público comum é desprovido de uma cultura mais aprofundada, a televisão subestima a inteligência do telespectador. Não podemos mais assistir a um Game Show, por exemplo, sem a surpresa de questões imbecis do tipo: Qual o nome do marido da vocalista do grupo de axé tal ou qual o prato preferido da personagem ”X” da novela tal? Fica claro que as fontes de pesquisa e estudos para se responder a essas inteligentes perguntas são as revistas de fofoca ou de crônica social dos emergentes. Aquelas que tratam de personalidades sem mérito. Eu me lembro de um Game Show que, em 1983, perguntou a um candidato: A quantos graus Celsius a água se solidifica? Nos dias de hoje essa pergunta provavelmente seria assunto de uma reunião de diretoria da emissora. Nessa reunião alguns executivos do canal afirmariam que o público não conseguiria acompanhar um programa desse nível e que, portanto, a audiência poderia cair. Seria decidido que o programa necessitaria de um novo diretor e de um novo roteirista. Que pena! Talvez o público gostasse de saber a quantos graus Celsius a água se solidifica e essa seria uma ótima oportunidade de informá-lo. A propósito, você sabe a quantos graus Celsius a água se solidifica?
EXISTE TV PÚBLICA NO BRASIL?
Publicado 27/05/2009 por matroneCategorias: Televisão
Existe realmente Televisão Pública no Brasil? A resposta infelizmente é não. A TV brasileira nasceu comercial copiando o modelo norte americano.
As ditas TVs Públicas brasileiras são, na sua grande maioria, emissoras educativas atreladas a Secretarias de Cultura ou a administrações Federais, Estaduais ou Municipais.
No real modelo de TV Pública as emissoras são mantidas pelo dinheiro do telespectador através de contribuições mensais voluntarias (NHK), compulsórias (BBC) ou mesmo através de campanhas de arrecadação para a manutenção da emissora como faz a PBS americana. O Estado e a iniciativa privada não possuem qualquer ingerência ou controle na produção ou na programação. O compromisso da TV Pública é apenas com a sociedade. Não é esse o modelo da TV Pública Brasileira. Ela não esta distanciada das influências das administrações governamentais, das autarquias, dos “apoiadores culturais” e até dos patrocinadores.
Por essa razão podemos afirmar que não existe TV Pública no Brasil.