Foi com surpresa que assisti ao programa “Mulheres Ricas” que esta sendo exibido pela Band as segundas-feiras às 22h30.
Não pude acreditar no que estava vendo e olhe que nos meus 32 anos de profissão nesse veiculo vi coisas que arrepiariam os cabelos de qualquer cabeça inteligente. Achei que TV havia chegado ao limite com o Big Brother, mas me enganei. Alô Boninho, você pode dizer que faz um programa qualificado se comparado ao “Mulheres Ricas”.
Senti que o programa é uma bofetada na cara do brasileiro. Como espectador me senti ultrajado, subestimado e com vergonha alheia.
A emoção foi tanta que fiquei em estado de torpor. Os meus braços não funcionavam e eu não consegui mudar de canal enquanto uma parte lúcida do meu cérebro dizia que aquilo era ruim demais.
A revista VEJA trouxe uma reportagem onde mulheres da classe A da sociedade brasileira criticavam os absurdos do programa. Segundo a maioria delas não se deve ostentar a fortuna. Aliás, fica aqui a minha dúvida sobre riqueza. O verdadeiro rico diz sempre que possui umas terrinhas, um sitiozinho quando na verdade é dono de metade de uma cidade. Já o novo rico ostenta e gosta de fazer alarde das coisas que possui, certo?????
No episódio do programa que assisti uma das “mulheres ricas”, aquela que adora tomar champagne e que pontua suas frases com Hellooooooo…. , compra um Bentley como que compra uma coca cola e, pasmem, não queria fazer o teste drive! Disse que não precisava porque havia gostado do carro sem andar nele, o qual, a propósito combinava com o seu sapato “vermelho”. Deus meu, esse automóvel (sim, um Bentley é carro de rico e carro de rico é automóvel) deve custar o preço de um apartamento modesto num bairro de classe média em São Paulo e a senhora não quer nem experimentar ?!? Claro que a compra teve momentos de tensão, como a escolha do teto, da cor do tapete, mas terminou satisfatória e sem pedir desconto é óbvio, porque isso é coisa de pobre.
Aliás é dessa senhora a frase de que quem tem dinheiro pode tudo!!!! Será????
Outra das meninas (pelo menos ela pensa que é uma) trata a sua cachorrinha como uma criança. Roupinha, joinha, carrinho, etc… Nada contra uma cachorra ser bem tratada, mas quando isso rompe a fronteira do bom senso me sinto ofendido como ser humano que anda nas ruas e enxerga a sociedade faminta em que vivemos.
Uma cena de jantar em Buenos Aires, no restaurante Piegari que nem é tão chique assim (as meninas podiam ter caprichado na escolha do restaurante. Buenos Aires oferece lugares mais interessantes e luxuosos) foi algo entre o cômico e o deprimente. Elas brindavam a Buenos Aires erguendo as suas taças como quem diz: Não estou nem ai para a fome do mundo. O que elas querem é brindar com champanhe. Não que elas devessem se preocupar com isso, porque afinal não são as responsáveis pelos problemas da humanidade, mas um pouco de humildade e generosidade não fazem mal a ninguém.
Esse é um programa que a TV não necessita. Ele chega a ser pior do que reality policial. Não sei se a TV brasileira com a história que possui merecia exibir um programa como esse. Pobre TV.



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